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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Um dos maiores campeões do ciclismo mundial pode ter salvado 800 judeus


Um dos maiores campeões da história do ciclismo, Gino Bartali, pode ter sido um dos ”justiceiros”, em Israel / Foto: UCIUm dos maiores campeões da história do ciclismo, Gino Bartali, pode ter sido um dos ”justiceiros”, em Israel / Foto: UCI























Itália -
Um dos maiores campeões da história do ciclismo, Gino Bartali, pode ter sido um dos ”justiceiros”, em Israel. Quase 70 anos após os acontecimentos, e 12 anos após sua morte, finalmente surgem às provas para iluminar suas ações, até então desconhecidas, durante a Segunda Guerra Mundial, onde ajudou a salvar a vida de 800 judeus.

Em 1943 Bartali, que já tinha vencido o Tour de France uma vez e o Giro d’Italia duas vezes, foi designado pelo regime fascista para fazer parte da polícia de trânsito, antes de deixar o cargo em 8 de setembro. Foi quando ele passou à clandestinidade, escolhendo ajudar judeus perseguidos contrabandeando fotos de identidade para um convento que produzia papéis falsificados.
Na medida em que os soldados que guardavam o caminho entre Florença e San Quirico, perto de Assis, estavam envolvidos, Bartali estava apenas em uma corrida de treinamento de 380 km. Na verdade, documentos valiosos estavam escondidos dentro da estrutura e do banco de sua bicicleta.
Detalhes sobre as ações de Bartali começaram a surgir apenas dois anos atrás, graças a um projeto de pesquisa da universidade que recolheu o depoimento de uma freira, sobrevivente do Holocausto e de seus descendentes. Andrea Bartali, sua filha, continuou sua pesquisa com o apoio da comunidade judaica na Toscana e da jornalista Laura Guerra.
Em Israel, o Memorial Yad Vashem, atualmente, está estudando as provas a fim de conceder à Bartali a distinção póstuma de “O justiceiro entre as nações”, concedido àqueles que colocaram suas vidas em perigo para salvar judeus.
Até a sua morte, Bartali raramente falava sobre estes atos de bravura, mantendo em segredo até mesmo de sua esposa. Um dia, simplesmente, ele disse: “Bondade é algo que você faz, não algo que você fala sobre. Algumas medalhas são para ser presas à sua alma, não em seu casaco”.
Por volta de 1943, ele foi jogado na prisão por 45 dias, oficialmente por causa de seu apoio ao Vaticano, que se opôs ao regime fascista. Por acaso, ele nunca foi obrigado a comparecer perante o tribunal de guerra especial e foi libertado sem julgamento.
Em sua libertação, ele retomou sua carreira e ganhou pela terceira vez o Giro d,Italia e o segundo Tour de France, enquanto seus fãs não podiam saber o bastante de sua rivalidade com o lendário Fausto Coppi.
Hoje, a Fundação Bartali homenageia sua memória e o reitera como um dos grandse campeões dizendo: “Se o esporte não é uma escola de vida e fraternidade, ele é inútil”.

Referencia:
http://www.esportealternativo.com.br/pt/todas-as-noticias-ciclismo/63-ciclismo/4024-um-dos-maiores-campeoes-do-ciclismo-mundial-pode-ter-salvado-800-judeus-


Saiba mais sobre esse grande Homem


Gino Bartali


Gino Bartali, popular corredor italiano oriundo da região da Toscana e falecido em 2000 devido a uma parada cardíaca, aos 86 anos.
Famosos na época dourada do ciclismo
Famosos na época dourada do ciclismo
Bartali foi um atleta de características impressionantes que lhe deu muita glória no ciclismo, junto ao seu rival e antagonista Fausto Coppi, outro popular corredor falecido em 1960 após contrair malária. Foi sem dúvida o período de ouro do ciclismo italiano.
Os fãs sempre tem tentado encontrar alguém que faça esquecer os dois campeões sem igual, que conseguiram tantas vitórias e tanta fama. As esperanças não cedem, mas o substituto não aparece. Nem Gismondi, Nencini, Moser, Bugno, Baldini ou mesmo Pantani tiveram tanto carisma e geraram tanto fervor nos aficcionados quanto a dupla Coppi-Bartali.
Bartali, Bobet e Ockers no Tourmalet
Bartali, Bobet e Ockers no Tourmalet
Dizem que Bartali ao vencer o segundo Tour de France em 1948 foi o melhor embaixador de seu país no estrangeiros. Contribuiu muito ao acalmar a opinião pública ante uma possível guerra civil, cujo desastre conseguiu evitar. Seus exaltados compatriotas esqueceram dos problemas políticos, concentrados no que ocorria, dia após dia, no território francês sob o pedalar poderoso de Bartali que seria afinal o vencedor em Paris (pão e circo?).
Bartali já havia vencido um Tour em 1938. Mas no espaço de uma década, um fato sem precedentes deixou um período em branco, sem atividade e sem rodas: a Segunda Guerra Mundial. Seus fãs afirmam que seria o recordista absoluto de vitórias na grand boucle não fosse esse período negro da história mundial.
Bartali destacado no Tour 1948
Bartali destacado no Tour 1948
Entre outros triunfos conseguiu vencer três edições do Giro d’Italia (1936, 1937 e 1946), quatro Milan-Sanremo (1939, 1940, 1947 e 1950), três Volta a Lombardia (1936, 1939, 1940), duas Volta a Suíça (1946 e 1947), quatro Campeonatos Italianos (1935, 1937, 1940 e 1952), cinco Giro di Toscana, três Giro di Piamonte, dentre outras tantas.
Bartali no Tour de 1952
Bartali no Tour de 1952
Não é enaltecido somente no ciclismo pelos seus gestos desportivos, mas também foi um exemplo de cavalheiro. Humilde e correto no seu comportamente, com profundos princípios religiosos foram qualidades que seus fãs sempre admiraram. Ser um homem popular é algo que enaltece muito quando se leva uma vida correta. Ser famoso supõe-se ser um espelho para as multidões que tratam de imitar seu campeão preferido e admirado.
Em 1935 fez sua primeira viagem ao exterior, quando venceu a Vuelta al Pais Vasco. Dias mais tarde, casualmente alinhou para uma prova chamada Gran Premio de Reus, constando de três etapas. Contra todas as expectativas, venceu a primeira etapa, chegando a meta com tanta antecedência que cruzou a linha de meta que sequer os juízes e cronometristas estavam presentes para registrar sua vitória. Após muito diálogo, decidiu-se que ele teria 7 minutos de vantagem sobre seus oponentes mais próximos. Para comprovar sua superioridade, venceu também a terceira etapa, na montanha de Montserrat que tinha um significado especial para ele dado suas crenças religiosas.
Bartali com o maillot jaune no Tour 1948
Bartali com o maillot jaune no Tour 1948
Um fato praticamente desconhecido da grande massa é o fato de que o corredor formava parte de uma organização, cujo objetivo era ajudar os fugitivos da perseguição aos judeus praticada pelos nazistas na Itália dos anos 40. Dentro dessa rede, o ciclista colaborou e ajudou cerca de 800 judeus.A missão de Bartali era transportar documentos clandestinos, fotografias e papéis para fabricar documentos de identidade falsos. Ia aos monastérios, onde os monges faziam a falsificação, recolhia o material, escondia nos tubos de sua bicicleta e entregava aos interessados. Outras vezes servia de guia, graças aos conhecimentos que possuía sobre as estradas secundárias da Toscana e indicava aos fugitivos os caminhos mais seguros. Por ser uma figura lendária na Itália, aproveitava-se de sua fama para que os militares o deixassem em paz. Sempre que alguma patrulha o detinha, alegava que estava treinando.
uma das imagens mais famosas do ciclismo
Bartali e Coppi: uma das imagens mais famosas do ciclismo

http://magliarosa.wordpress.com/2008/12/06/gino-bartali/

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