| Conheça os detalhes sobre a geometria e tamanho de quadros | |
| Canal Artigos / Postado em 15/03/2011 às 12:35 por Hudson Malta/www.bikebros.com.br | |
![]() Texto: Hudson Malta/www.Bikebros.com.br Uma das maiores dificuldades de ciclistas iniciantes (e às vezes até alguns veteranos...) é entender as delicadas questões que envolvem o tamanho correto da bicicleta. A grande verdade é que cada milímetro faz muita diferença, e não adianta ter a melhor e mais leve bike do mundo se ela não está corretamente ajustada às dimensões do seu corpo. Nesta matéria vamos tentar resolver várias destas importantes questões. Partes de um quadro Para começar, vamos ver no gráfico abaixo as partes que compõem um quadro típico. Estão relacionados os nomes em inglês e seus similares em português. Logo abaixo, as medidas, angulações e suas influências no comportamento da bike:
A Comprimento do Top Tube. Quanto maior, mais esticado você ficará sobre o quadro, e maior poderá ser a estabilidade e a aerodinâmica. Mas, se o tamanho for exagerado, aparecerão dores na região lombar e a biomecânica será prejudicada. Um Top Tube curto pode garantir respostas mais rápidas da bike, mas a estabilidade ficará prejudicada, principalmente em descidas. B Comprimento do Seat Tube. Este comprimento é utilizado pelas fábricas para determinar o tamanho da bike (polegadas no MTB e centímetros no Speed). Hoje já perdeu importância para o comprimento do Top Tube, pois os designs dos fabricantes estão mudando com muita frequência. Quanto maior esta medida, maior será o tamanho geral do quadro . C Esta medida tem uma relação direta com o conforto e com a tração exercida pela roda traseira. Quando mais curta, maior será a tração, mas menor será o conforto. Tração é algo muito desejado, mas a excessiva proximidade do pneu com os tubos cria outro problema: Acúmulo de barro, no caso do Mountain Bike e Down Hill. Pode também criar um balanço incorreto com a parte da frente da bike, que tenderá a "empinar" a dianteira em subidas mais íngremes. D Angulo do Seat Tube. Esta é uma das medidas fundamentais da bike, e determina o posicionamento correto do ciclista sobre o quadro. Normalmente, fica entre 71º e 73º , mas em alguns casos pode cair para aumentar o conforto e estabilidade(Down Hill, chegando a até 68º) ou subir para aumentar a performance (Triathlon, chegando a 78). E Angulo do Head Tube. Esta é outra medida fundamental da bike, e determina as reações da bike. O normal é estar em torno de 71º. Quanto mais alta a angulação, mais rápida e arisca ficará a frente da bicicleta. Quanto mais baixa, mais estável e lenta. Bicicletas de Down Hill tendem a ter este ângulo bem relaxado, para facilitar as descidas, embora a frente se torne menos ágil. F Ângulo ou distância de Caster. Determina a angulação do garfo (também chamada de "off-set"), influenciando diretamente nas reações da bike, principalmente em curvas. Quanto maior esta distância, mais estável e lenta ficará a frente da bike. Cada tipo de garfo tem suas próprias características de Cáster. G Distância entre-eixos. Medida entre os centros dos eixos das rodas. De uma forma geral, quanto maior for, mais estável e menos reativa será a bike, mas isto também depende bastante das outras medidas. A escolha consciente de um quadro deve passar pela atenta leitura destes números. O ciclista deverá levar em conta o seu tipo de pilotagem, sua flexibilidade, a intensidade da pedalada, o tipo de terreno que mais utiliza, o tempo médio que permanece pedalando, o tipo de pneus que usa e as inclinações dos percursos, só para citar alguns ítens. Depois disso, terá alguma base para escolher corretamente um quadro, já que cada fabricante possui características próprias em suas linhas. Tamanho Nada é mais frustrante do que um quadro de tamanho errado. Cansa, dói e não rende. Os fabricantes adotam a medida do Seat Tube como referência, mas não há uma padronização, já que não há um consenso sobre os pontos certos para medição. Alguns consideram o centro dos tubos, outros só a parte superior, outros só a inferior... Atualmente a medida do Top-Tube tem ganho uma grande importância, principalmente após o advento de quadros mais compactos no Ciclismo de Estrada, idéia vinda da Giant no início dos anos 2000 com o intuito de aumentar a rigidez dos quadros e diminuir a quantidade de medidas diferentes na linha de produção. Não há uma regra específica, o importante é que o ciclista fique posicionado sobre a bike de forma que não sinta desconforto. Depois de uma pedalada, nada deve estar doendo, nem na musculatura, nem nos ossos. Para descobrir o tamanho correto, há uma fórmula que, embora não seja científica, é bem aceita: Speed: Seat Tube (em centímetros) = Altura do cavalo x 0,65 Mountain Bike: Seat Tube (em polegadas) = (Altura do cavalo / 2.54) - 14 ![]() A "altura do cavalo" é a medida da parte interna das suas pernas, do chão até a parte inferior do púbis. Encoste-se numa parede, descalço, com as pernas ligeiramente afastadas, vestido com sua bermuda de ciclista. Com um lápis, faça uma marca na parede fixando o encontro das duas pernas da bermuda. Meça com uma fita métrica, do chão à marca. Esta medida, em centímetros, é a sua "altura do cavalo". Como medir o quadro? Tradicionalmente, as medidas são tomadas com base nos centros dos tubos (centro-a-centro, ou center-to-center / C-C). Alguns fabricantes adotam outro método, tendo como base a parte externa dos tubos (centro-a-topo, ou center-to-top / C-T). O ideal é que o ciclista adote um método e passe a utilizá-lo sempre que adquirir uma nova bike. Todos os fabricantes divulgam suas tabelas com as medidas dos tubos nos seus sites, mas nem sempre estas medidas são confiáveis. Antes de comprar uma bike, procure conhecer as medidas reais do quadro. Não se intimide, peça para o vendedor medir e reportar à você antes de adqirir o produto. Ajuste fino O "encaixe perfeito" entre quadro e ciclista pode contar com o ajuste fino da altura do canote, posição do banco, altura e comprimento do avanço (ou mesa) e largura do guidão. Qualquer aparente exagero nestes ajustes indica que o quadro está do tamanho errado. Fique atento às recomendações gravadas no canote quanto à sua inserção mínima no quadro, pois se a marca for ultrapassada o canote ou o quadro certamente quebrarão. Reações As reações da bike ao esforço do ciclista e ao terreno estão diretamente ligadas à sua geometria. Os fabricantes sabem disso, e adotam medidas padronizadas na maioria dos casos. Alguns fabricantes, entretanto, preferem utilizar medidas exclusivas, muitas vezes baseadas em experiências dos seus atletas em competições. Alguns são melhores para subir, outros para descer, outros extremamente confortáveis, etc. Assim, cada quadro é diferente do outro, e cabe ao ciclista procurar conhecimento para escolher o modelo ou fabricante mais adequado ao seu estilo de pilotagem. De uma forma geral, podemos concluir que: - Quadros pequenos são mais ágeis e ariscos; - Traseiras curtas são mais eficientes e menos confortáveis; - Dianteiras longas são mais estáveis; - Quadros longos descem melhor; - Angulações maiores permitem pilotagem mais agressiva; - Angulações menores permitem maior conforto e estabilidade; - Milímetros fazem diferença. - Tanto as posições muito tensas quanto muito relaxadas sobre a bike cansam. Procure o posicionamento exato para você. - A consagrada "Norba Geometry" (71/73 graus) funciona, mas alguns fabricantes vão mais além no estudo biométrico dos seus quadros e definem valores exclusivos, com o intuito de melhorar algumas características dos seus quadros. Não substime a geometria! Aprenda a ouvir seu corpo. Ortopedistas e quadros são igualmente caros, e seu investimento pode ir por água abaixo se você não souber como aplicar as regras dos números. Portanto, inclua uma FITA MÉTRICA na sua lista de equipamentos e seja feliz! Situações especiais Há modalidades que exigem geometrias especiais, como o o triathon, o contra-relógio, o down-hill, o dirt- jump e o bike-trial: ![]() No triathlon, os ângulos são mais retos, principalmente os do seat-tube. Esta geometria posiciona o corpo do atleta em uma posição mais aerodinâmica, já que no triathlon o vácuo não é permitido. Além disso, poupa um conjunto muscular que ainda será bastante exigido na terceira fase da competição, a corrida a pé. Na foto, uma Trek Equinox, dos USA. ![]() ![]() ![]() ![]() |
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
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